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Gordofobia: o preconceito que normalizamos

  • 3 de mar.
  • 2 min de leitura

Falar do corpo dos outros é um hábito social amplamente aceito. Comentários sobre peso circulam o tempo todo e o preconceito contra pessoas acima do peso é tão normalizado que a gordofobia acontece sem que a gente perceba. Esses comentários às vezes vêm disfarçados de preocupação com a saúde, piadas supostamente inofensivas ou até elogios.


Desde cedo, aprendemos a associar magreza à beleza, autocontrole e disciplina. Corpos maiores, por outro lado, são associados à ideia de desleixo, preguiça ou falta de força de vontade. Esse olhar não fica só no outro, ele também define como nos julgamos diante do espelho.


Somos condicionadas a pôr o corpo no centro da nossa atenção, tanto o nosso quanto o das outras pessoas. Aprendemos a observar, controlar e julgar o tempo todo, prestando atenção excessiva ao peso e às medidas, nos comparando e, muitas vezes, reproduzindo este julgamento no corpo dos outros.


Quando o corpo da mulher muda


O corpo da mulher passa por transformações ao longo da vida: gravidez, menopausa, mudanças hormonais ou simplesmente o avançar da idade. É justamente nestas fases que muitas mulheres se tornam alvo de olhares de reprovação, conselhos não solicitados ou julgamentos velados.


Homens com barriguinha costumam ser vistos como bem-sucedidos. Já as mulheres são lembradas o tempo todo de que precisam “se cuidar”. O que entre eles é aceito ou até valorizado, entre elas vira cobrança, constrangimento e desvalorização.


O que é gordofobia


Gordofobia é o preconceito contra pessoas gordas, que são discriminadas, desrespeitadas ou excluídas por não se encaixarem no que se considera um peso “ideal”. Este preconceito afeta a vida afetiva, social e profissional.


Mesmo quando as intenções são boas, muita gente reproduz expressões populares que denotam preconceito, como:


- Ela é tão bonita de rosto.

- Que coragem usar essa roupa!

- Preto emagrece, você deveria usar mais.


Há também os "elogios gordofóbicos", vindos de amigos, familiares e até de profissionais de saúde, que reforçam a ideia de que há algo de errado com o corpo que não segue o padrão:


- Você é bonita, nunca pensou em emagrecer? ou

- Você emagreceu, ficou mais bonita. 


E, claro, existem os comentários ofensivos:


- Nossa, você era tão magrinha!

- Você está bem, mas precisa pensar na saúde.

- Já pensou em fazer algum tratamento ou procedimento?


A gordofobia não está só nas palavras


A gordofobia também se manifesta nos espaços que negam acesso e respeito. Pessoas acima do peso são ignoradas em lojas que não oferecem numerações maiores. Não é raro ouvir frases como: “É para você? Não trabalhamos com números grandes”.


No mercado de trabalho, pessoas acima do peso podem ser subestimadas em entrevistas de emprego onde a aparência pesa mais que o currículo. Nos relacionamentos, podem ser tratadas como invisíveis ou como se precisassem compensar o próprio corpo.


Hora de agir


Comece por você. É hora de questionar mentalidades ultrapassadas, reaprender e se conscientizar. Escutar pessoas de diferentes corpos e exercitar a empatia faz parte desse processo.


Mude o seu discurso. Em vez de comentar sobre o corpo de alguém, demonstre interesse em saber como essa pessoa está. Em vez de elogiar a perda de peso, valorize qualidades reais, que não passem pelo corpo.


E, acima de tudo, chega de falar do corpo dos outros.



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